Para encontrar o azul eu uso pássaros As letras fizeram-se para frases.
Machado de Assis
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Na língua dos pássaros uma expressão tinge a seguinte. Se é vermelha tinge a outra de vermelho. Se é alva tinge a outra dos lírios da manhã. É língua muito transitiva a dos pássaros. Não carece de conjunções nem de abotoaduras. Se comunica por encantamentos. E por não ser contaminada de contradições A linguagem dos pássaros Só produz gorjeios.
Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “Retrato do artista quando coisa”, Rio de Janeiro: Record, 1998
Tarda pomba, alcanzia de argila, em teu lombo de luto um signo, apenas algo que te decifra. Povo meu, como com as tuas dores nas costas, espancado e rendido, como foste acumulando ciência desfolhada? Prodígio negro, mágica matéria elevada à luz por dedos cegos, mínima estátua em que o mais secreto da terra nos abre seus idiomas, cântaro de Pomaire em cujo beijo terra e pele se congregam, infinitas formas do barro, luz das vasilhas, a forma de uma mão que foi minha, o passo de uma sombra que me chama, sois reunião de sonhos escondidos, cerâmica, pomba indestrutível!
Pablo Neruda (Parral, Chile, 12 de julho de 1904 — Santiago, Chile, 23 de setembro de 1973). In “Canto geral”. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2001, 11ª edição. Tradução de Paulo Mendes Campos
Ele tem pertinências para árvore. O pé vai se alargando, via de calangos, até ser raizame. Esse ente fala com águas. É rengo de voz e pernas. Se esconde atrás das palavras como um perro. Formigas se mantimentam nas nódoas de seu casaco. De um turvo cheiro órfico os caracóis o escurecem. Um Livro o ensinou a não saber nada — agora já sabe. Estrela encosta quase em sua boca descalça.
Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “O guardador de águas”, 2ª. edição, Rio de Janeiro: Record, 1998
Alma que me transportas: Voz desatada Que a las almas ajenas Llevas mi alma: – Cinta, cinta de fuego – Que pura y rauda A los sueltos humanos Alegras y atas; – Pastora, pastorcilla Enamorada, Que junto al blanco y húmedo Rebaño canta; – Árabe, árabe fiero – Que en su dorada Hacanea parece Volante llama; – León, leon rugiente De la montaña Que como alud de oro Al valle baja, – Y en el villano impuro La garra clava, – Y en el dormido alumbra El sol del alma; – Lira, lira imponente En la más alta Cúspide de la tierra Serena, alzada, – En dos troncos de robles Corvos las blandas Cuerdas mordiendo, y trenzas De rosas blancas De los hilos sonoros Sueltas al aura, Cantando con pasmosas Hercúleas cantigas, De los dioses del cielo Y tierra hazañas, Y en himnos sin medida, Como las almas, Esparciendo a las nubes La esencia humana, Que en lento giro asciende De la batalla
José Martí (Havana, Cuba, 28 de janeiro de 1853 — Dos Ríos, pequena localidade pertencente ao município de Jiguaní, Cuba, 19 de maio de 1895). In “Poesia completa. Edición crítica”. La Habana, Cuba: Editorial Letras Cubanas, 1993
Galeria do Memorial De 27 de março a 19 de abril de 1992
Memorial da América Latina Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 Barra Funda, São Paulo – SP
Valdir Sarubbi (Bragança – PA, 1939 – São Paulo – SP, 2000) Pintor, desenhista, gravador, artista visual, professor.
Em 1962, Valdir Evandro Sarubbi de Medeiros gradou-se em direito, e, entre 1969 e 1970, frequenta faculdade de arquitetura, ambas em Belém. Em 1971, muda-se para São Paulo. Em seus trabalhos, aparecem aspectos culturais da Amazônia e da paisagem da região. No início da década de 1970, desenvolve a série Meditação Labiríntica, composta por desenhos que formam labirintos coloridos, semelhantes ao estilo da cerâmica marajoara. Esses labirintos, posteriormente, transformam-se em rios vistos de cima, que passam a ser uma temática constante em sua obra. Realiza trabalhos com base em fotografias aéreas da selva amazônica, e na série Memoriae, apresenta obras abstratas relacionadas à representação do rio. Em 1986, desenvolve o Projeto Arte e Educação, como artista residente na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Em 1990, realiza um painel da série Meditação Labiríntica, na Estação Barra Funda do Metrô de São Paulo, e, em 1993, monta no Deutsche Welle, em Colônia, Alemanha, a instalação Xumucuís, composta por bastões que produzem ruídos ligados à sonoridade da água.
Antonio Henrique Amaral (São Paulo – SP, 1935, São Paulo – SP, 2015) Pintor, gravador e desenhista.
Iniciou sua formação artística em 1952, na Escola do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), sob orientação de Sambonet (1924–1995). Em 1956, aprofundou seus estudos em gravura com Lívio Abramo (1903–1992), no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1958, realizou viagens à Argentina e ao Chile, onde expôs suas obras e teve contato com o poeta Pablo Neruda (1904–1973). Em 1959, viajou aos Estados Unidos, onde estudou gravura no Pratt Graphics Center, em Nova York. Ao retornar ao Brasil, em 1960, trabalhou como assistente na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, e conheceu importantes nomes da arte brasileira, como Ivan Serpa (1923–1973), Candido Portinari (1903–1962), Antonio Bandeira (1922–1967), Djanira (1914–1979) e Oswaldo Goeldi (1895–1961). Paralelamente à atividade artística, atuou como redator publicitário. No início de sua carreira, produziu desenhos e gravuras com forte influência do surrealismo. A partir da segunda metade da década de 1960, sua obra passou a incorporar uma crítica social mais incisiva, utilizando elementos da gravura popular, da cultura de massa e aproximando-se da estética da arte pop. Em 1967, lançou o álbum de xilogravuras coloridas O Meu e o Seu, com texto de apresentação de Ferreira Gullar (1930) e capa de Rubens Martins, no qual denunciava o autoritarismo vigente no país. A partir desse período, passou a dedicar-se majoritariamente à pintura. Em 1971, foi agraciado com o prêmio viagem ao exterior do Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o que o levou novamente a Nova York. Retornou ao Brasil em 1981, dando continuidade à sua produção artística.
Fonte: O Escritório de Arte (www.escritoriodearte.com), fundado em 1998, ele foi pioneiro na comercialização online de arte moderna e contemporânea brasileira no mercado de arte, oferecendo um amplo acervo, preços competitivos e um processo de aquisição simplificado.
Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi – acervo família Sarubbi – edição póstuma