Mês: janeiro 2026
A la palabra
Alma que me transportas:
Voz desatada
Que a las almas ajenas
Llevas mi alma:
– Cinta, cinta de fuego
– Que pura y rauda
A los sueltos humanos
Alegras y atas;
– Pastora, pastorcilla
Enamorada,
Que junto al blanco y húmedo
Rebaño canta;
– Árabe, árabe fiero
– Que en su dorada
Hacanea parece
Volante llama;
– León, leon rugiente
De la montaña
Que como alud de oro
Al valle baja,
– Y en el villano impuro
La garra clava,
– Y en el dormido alumbra
El sol del alma;
– Lira, lira imponente
En la más alta
Cúspide de la tierra
Serena, alzada,
– En dos troncos de robles
Corvos las blandas
Cuerdas mordiendo, y trenzas
De rosas blancas
De los hilos sonoros
Sueltas al aura,
Cantando con pasmosas
Hercúleas cantigas,
De los dioses del cielo
Y tierra hazañas,
Y en himnos sin medida,
Como las almas,
Esparciendo a las nubes
La esencia humana,
Que en lento giro asciende
De la batalla
José Martí (Havana, Cuba, 28 de janeiro de 1853 — Dos Ríos, pequena localidade pertencente ao município de Jiguaní, Cuba, 19 de maio de 1895). In “Poesia completa. Edición crítica”. La Habana, Cuba: Editorial Letras Cubanas, 1993
Amazônia “O rio” (Valdir Sarubbi) e “A mata” (Antonio Henrique Amaral)
Galeria do Memorial
De 27 de março a 19 de abril de 1992
Memorial da América Latina
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664
Barra Funda, São Paulo – SP
Valdir Sarubbi (Bragança – PA, 1939 – São Paulo – SP, 2000)
Pintor, desenhista, gravador, artista visual, professor.
Em 1962, Valdir Evandro Sarubbi de Medeiros gradou-se em direito, e, entre 1969 e 1970, frequenta faculdade de arquitetura, ambas em Belém. Em 1971, muda-se para São Paulo. Em seus trabalhos, aparecem aspectos culturais da Amazônia e da paisagem da região. No início da década de 1970, desenvolve a série Meditação Labiríntica, composta por desenhos que formam labirintos coloridos, semelhantes ao estilo da cerâmica marajoara. Esses labirintos, posteriormente, transformam-se em rios vistos de cima, que passam a ser uma temática constante em sua obra. Realiza trabalhos com base em fotografias aéreas da selva amazônica, e na série Memoriae, apresenta obras abstratas relacionadas à representação do rio. Em 1986, desenvolve o Projeto Arte e Educação, como artista residente na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Em 1990, realiza um painel da série Meditação Labiríntica, na Estação Barra Funda do Metrô de São Paulo, e, em 1993, monta no Deutsche Welle, em Colônia, Alemanha, a instalação Xumucuís, composta por bastões que produzem ruídos ligados à sonoridade da água.
Antonio Henrique Amaral (São Paulo – SP, 1935, São Paulo – SP, 2015)
Pintor, gravador e desenhista.
Iniciou sua formação artística em 1952, na Escola do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), sob orientação de Sambonet (1924–1995). Em 1956, aprofundou seus estudos em gravura com Lívio Abramo (1903–1992), no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1958, realizou viagens à Argentina e ao Chile, onde expôs suas obras e teve contato com o poeta Pablo Neruda (1904–1973). Em 1959, viajou aos Estados Unidos, onde estudou gravura no Pratt Graphics Center, em Nova York. Ao retornar ao Brasil, em 1960, trabalhou como assistente na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, e conheceu importantes nomes da arte brasileira, como Ivan Serpa (1923–1973), Candido Portinari (1903–1962), Antonio Bandeira (1922–1967), Djanira (1914–1979) e Oswaldo Goeldi (1895–1961). Paralelamente à atividade artística, atuou como redator publicitário. No início de sua carreira, produziu desenhos e gravuras com forte influência do surrealismo. A partir da segunda metade da década de 1960, sua obra passou a incorporar uma crítica social mais incisiva, utilizando elementos da gravura popular, da cultura de massa e aproximando-se da estética da arte pop. Em 1967, lançou o álbum de xilogravuras coloridas O Meu e o Seu, com texto de apresentação de Ferreira Gullar (1930) e capa de Rubens Martins, no qual denunciava o autoritarismo vigente no país. A partir desse período, passou a dedicar-se majoritariamente à pintura. Em 1971, foi agraciado com o prêmio viagem ao exterior do Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o que o levou novamente a Nova York. Retornou ao Brasil em 1981, dando continuidade à sua produção artística.
Fonte: O Escritório de Arte (www.escritoriodearte.com), fundado em 1998, ele foi pioneiro na comercialização online de arte moderna e contemporânea brasileira no mercado de arte, oferecendo um amplo acervo, preços competitivos e um processo de aquisição simplificado.

Novos achados da biblioteca de Carmita e relembrando um bordado e um retrato seu
Motivado pela conversa que tive em setembro do ano passado com Alexandre Araujo Silva voltei a encontrar no sítio e em minha casa outros livros de minha mãe Carmita e aproveitei para relembrar seu lindo bordado e uma foto de sua juventude. Vejam acima o painel que fiz, tomara que gostem…
Maria do Carmo Ferreira Matosinho, * Motuca SP, 25 de março de 1926 – + Ourinhos SP, 5 de abril de 1966
Diamond
Resposta a Vinicius de Moraes
Camarada diamante!
Não sou um diamante nato
nem consegui cristalizá-lo:
se ele te surge no que faço
será um diamante opaco
de quem por incapaz do vago
quer de toda forma evitá-lo,
senão com o melhor, o claro,
do diamante, com o impacto:
com a pedra, a aresta, com o aço
do diamante industrial, barato,
que incapaz de ser cristal raro
vale pelo que tem de cacto.
João Cabral de Melo Neto (Recife, Pernambuco, 9 de janeiro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999). In “Museu de tudo: poesia, 1966-1974″, Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1975
Cabelo negro
Poema de encantação
Arraial d’Angola de Paracatu,
Arraial de Mossâmedes de Goiás,
Arraial de Santo Antônio do Bambé,
vos ofereço quibebê, quiabo, quitanda, quitute, quingombô.
Tirai-me essa murrinha, esse gôgo, esse urufá,
que eu quero viver molecando, farreando, tocando meus ganzás!
Arroio dos Quilombos de Palmares,
Arroio do Desemboque do Quizongo,
Arroio do Exu do Bodocô,
vos ofereço maconha de pito, quitunde, quibembe, quingombô.
Assim, sim!
Arraial d’Angola de Paracatu,
Arraial do Campo de Goiás,
Arraial do Exu do Aussá,
vos ofereço quisama, quinanga, quilengue, quingombô.
Tomai acaçá, abará, aberém, abaú!
Assim, sim!
Tirai-me essa murrinha, esse gôgo, esse urufá!
Vos ofereço quitunde, quitumba, quelembe, quingombô.
Jorge de Lima (União dos Palmares, Alagoas, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953). In “Novos poemas; poemas escolhidos; poemas negros”, Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997
Explosão
Experimentando a manhã nos galos
… poesias, a poesia é
— é como a boca
dos ventos
na harpa
nuvem
a comer na árvore
vazia que
desfolha noite
raiz entrando
em orvalhos…
os silêncios sem poro
floresta que oculta
quem aparece
como quem fala
desaparece na boca
cigarra que estoura o
crepúsculo
que a contém
o beijo dos rios
aberto nos campos
espalmando em álacres
os pássaros
— e é livre
como um rumo
nem desconfiado…
raiz entrando em orvalhos..
os silêncios sem poro
floresta que oculta quem aparece
como quem fala desaparece na boca
cigarra que estoura o crepúsculo
que a contém
o beijo dos rios aberto nos campos espalmando em álacres os pássaros
— e é livre
como um rumo
como um rumo nem desconfiado…
Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “Compêndio para uso dos pássaros”, 3ª. edição, Rio de Janeiro: Record, 1999